A paralisia cerebral é causada por uma lesão no sistema nervoso central ainda em desenvolvimento. A prematuridade é uma das causas mais comuns, mas nem sempre é possível identificar uma única origem ou alterações nos exames. Nestes casos, pode ser recomendada uma avaliação genética. Embora as lesões não sejam progressivas, seus efeitos podem impactar diversas áreas do desenvolvimento.
É uma das manifestações mais comuns e pode causar encurtamentos musculares, contraturas e deformidades. O tratamento pode incluir toxina botulínica, medicações, rizotomia dorsal seletiva ou bomba de baclofeno, sempre após avaliação especializada.
A redução da força é frequente e interfere em funções como sentar, manter posturas ou andar. Também são comuns encurtamentos musculares e deformidades como luxação de quadril, deformidades nos pés e joelhos e escoliose. O tratamento pode envolver órteses, fisioterapia, controle da espasticidade e, em alguns casos, cirurgia. A análise tridimensional da marcha é uma ferramenta útil para auxiliar decisões terapêuticas.
Dificuldades em mastigar, engolir, usar as mãos e realizar atividades do dia a dia podem ocorrer. A atuação conjunta com fonoaudiologia e terapia ocupacional é essencial para ampliar as capacidades adaptativas e promover a independência. Podem ainda existir dificuldades de fala, cognição, visão, audição e epilepsia.
A criança consegue andar, correr e subir escadas sem apoio, embora possa apresentar pequenas limitações de equilíbrio e coordenação motora.
A criança caminha em ambientes internos e externos, sobe escadas segurando no corrimão e pode ter dificuldade em correr ou pular.
A criança caminha com o uso de dispositivos de auxílio (como andadores) em ambientes internos e pode usar cadeira de rodas para distâncias maiores.
A locomoção é limitada, mesmo com o uso de equipamentos necessita auxílio; a criança geralmente precisa de cadeira de rodas para se deslocar e pode apresentar maior dependência nas atividades diárias.
A criança tem limitações motoras expressivas e depende de ajuda total para mobilidade e cuidados, utilizando cadeira de rodas adaptada e apoio constante de cuidadores.
Fisioterapia e terapia ocupacional auxiliam no fortalecimento muscular, desenvolvimento de coordenação motora e equilíbrio, prevenção e controle de deformidades e desenvolvimento de habilidades funcionais e na reabilitação após cirurgias ortopédicas.
Auxiliam o controle da espasticidade, o alinhamento postural e na prevenção de deformidades.
A mais utilizada é a suropodálica (AFO –ankle foot orthosis).
Controla temporariamente a espasticidade, é utilizada em situações pontuais e específicas, sempre acompanhada de fisioterapia e terapia ocupacional intensivas.
Podem estar indicadas para deformidades fixas ou progressivas, que estejam dificultando o posicionamento ou o uso de órteses e que não puderam ser controladas por outros métodos. No caso de mais de um procedimento estar indicado, todos devem preferencialmente ser realizados num só ato cirúrgico e seguidos de reabilitação intensiva. As cirurgias mais frequentes são alongamentos de músculos e tendões e transferências de tendão e osteotomias (fêmur, tíbia, pé).
O acompanhamento do quadril é essencial na Paralisia Cerebral, especialmente nos níveis GMFCS IV e V, devido ao alto risco de luxação causado por desequilíbrio muscular e alterações ósseas.
Quando não tratada, a luxação pode provocar dor, dificultar a higiene e o posicionamento e prejudicar a qualidade de vida. Por isso, a vigilância ortopédica regular é fundamental.
O tratamento das deformidades do membro superior na paralisia cerebral envolve avaliações funcionais detalhadas, como o SHUEE (Shriners Hospital Upper Extremity Evaluation), que auxilia na definição de objetivos e condutas terapêuticas.
As intervenções incluem aplicação de toxina botulínica, prescrição de órteses e, quando necessário, cirurgias para melhorar o alinhamento, o movimento e a funcionalidade do membro afetado.
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